domingo, 23 de janeiro de 2011

Voluntariado - Nova Friburgo/RJ - 22/01/2011

Ontem, dia 22, como mencionado na postagem anterior, estive em Nova Friburgo para dar uma ajuda na recuperação da cidade, atingida por forte temporal entre os dia 11 e 12 deste mês.
Cheguei lá às 08:30Hs, após uma viagem tranquila, já que o acesso à cidade para quem vem do Rio não está obstruído (apenas o trecho final estava em meia pista, mas sem causar transtornos), e me dirigi à Secretaria de Ação Social do Município.
Fui informado que necessitavam de voluntários para cadastrar pessoas que haviam perdido as suas casas e que estavam em abrigos da prefeitura.
Segui em uma kombi da prefeitura, com mais duas pessoas, além do motorista, para dois abrigos no Distrito de Amparo, além de outro próximo ao centro da cidade, para fazer o trabalho que nos foi delegado.
Com essa etapa de trabalho cumprida, às 16:00Hs já nos encontrávamos de volta à Secretaria de Ação Social, ou seja, muito cedo para parar.
Fui informado que precisavam de voluntários para a descarga de caminhões com donativos na Fábrica de Ypu, na entrada da cidade, e segui para lá, onde militares do Exército e mais alguns voluntários já estavam se ocupando dessa tarefa desde o início da manhã. Fechamos a descarga do último caminhão às 19:30Hs, quando iniciei a viagem de volta para a casa.
A minha idéia original era de ter ficado em Nova Friburgo para continuar o trabalho neste domingo, mas, infelizmente, não achei local disponível para pernoite.
Porém, mesmo este único dia foi de grande valia, até porque, após 10 dias de ocorrida a tragédia, a cidade continua com muitos problemas e necessitando de muita ajuda, tanto material (donativos) quanto de recursos humanos (voluntariado, por exemplo). Ou seja, qualquer ajuda, por menor que possa parecer, é bem vinda.
Só estando lá para ver a verdadeira dimensão do problema.
Agora, se você quiser e puder ajudar, seguem algumas dicas de acordo com o que pude constatar na região.
(a) Para voluntariado:
- Pode ser feito contato com a Secretaria de Ação Social de Nova Friburgo, situada na Rua Augusto Spinelli, 160, Centro, ou pelo telefone (22) 2543-6305;
- Outra alternativa é se dirigir diretamente para a Fábrica de Ypu, localizada logo na entrada da cidade, na Rua Maximilian Falck, 380, onde está sendo feita descarga de caminhões de donativos e a organização e montagem dos kits a serem distribuídos para a população.
(b) Para doações:
- Se for doar água mineral, opte pelas garrafas de 1,5 litros, pois são mais resistentes e mais fáceis para estocar e distribuir;
- Se for doar roupas, procure colocá-las em sacos pláticos resistentes, pois elas terão que ser deslocadas várias vezes na carga e na descarga do caminhão, e depois até o local de triagem. Assim, evita-se o rompimento das embalagens durante o manuseio, conferindo maior agilidade ao trabalho. Quanto aos sapatos e tênis, vale manter cada um dos pares unidos através dos cadarços ou das tiras, evitando o extravio dos mesmos;
- Evite colocar numa mesma embalagem roupas e alimentos misturados, por exemplo, pois cada tipo de item é organizado e triado em locais separados, ou seja, há locais específicos para a triagem e montagem de kits de roupas, de alimentos, de material de higiene, de limpeza e de brinquedos. Esse tipo procedimentos agiliza o trabalho das equipes e, como consequência, a distribuição à população;
- Em caso de doação de alimentos, verifique se o valor que você está gastando é equivalente ao valor de uma cesta básica já montada, comumente vendida em supermercados. Se for, opte pela compra da cesta básica já pronta, pois suprime a etapa de triagem e montagem, seguindo direto para a área de distribuição.
Como a viagem não foi de lazer e o tempo era curto, não houve tempo para muitas fotos, mas seguem, no final da postagem, algumas tiradas com o meu celular dos locais que percorri.
Abs para todos e até a próxima!
Este córrego, em Amparo, tinha seu leito original apenas junto à vegetação, do lado direito de sua margem, e era bem mais estreito do que está nesta foto. Do lado esquerdo da foto estão casas ameaçadas de desabamento. O material cinza depositado junto às casas é areia, carreada pelo córrego durante a enxurrada provocada pela chuva.
Escombro de casa destruída pelo córrego da foto acima. Pela altura da marca de lama na parede, pode-se perceber o volume da água do córrego durante a enxurrada.
À frente, um morro, como outros tantos dentro da cidade, que perdeu grande quantidade de cobertura vegetal e de solo, deixando a rocha completamente exposta. Segundo informação das pessoas que estavam comigo, o bairro no qual está localizado este morro teria sido muito atingido pelo temporal.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Voluntariado - A região serrana do Rio de Janeiro ainda pede socorro! - Nova Friburgo/RJ - 20/01/2011

Realmente, confesso que não é fácil ligar a televisão, ver tanto sofrimento tão perto de nossas casas e ainda se sentir à vontade e indiferente à situação.
Finalmente, após várias tentativas, consegui dois números de telefone que se mostraram eficientes: o da Prefeitura de Sumidouro ((22) 2531-1128) e o da Secretaria de Promoção Social de Nova Friburgo ((22) 2543-6305).
Após avaliar as informações que recebi diretamente dos funcionários de ambos os municípios, e constatar que Nova Friburgo está em muito pior estado em razão da dimensão da tragédia que a atingiu, sigo amanhã cedo para esta cidade para tentar ajudar da forma que for possível.
Para fechar esta postagem, faço um pedido a você, caso tenha algum tempo disponível: AJUDE!
Da mesma forma que torço para encontrar as pessoas que têm acesso a este blog em alguma trilha ou corrida, torço agora para encontrá-las em Nova Friburgo (ou qualquer outro município atingido pelo temporal do dia 11 deste mês), para ajudar no que for necessário ou possível.
Afinal, acredito que o sentimento de solidariedade seja o mais nobre existente entre os praticantes de qualquer atividade esportiva, em especial o montanhismo.
Abs e até a volta Nova Friburgo!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Caminhadas - Trilha Suspensa - PARNASO - Teresópolis/RJ - 22/11/2010

A Trilha Suspensa contruída em madeira, sobre um aqueduto desativado.
Após o reflorestamento do Parque Estadual do Grajaú (postagem de 01/12/2010) e aproveitando um feriado municipal (22/11/2010), peguei minha família e fui para Teresópolis, para cumprir uma promessa feita ao meu filho: uma nova caminhada em uma das trilhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO).
A idéia era fazer a Trilha Mozart Catão ou a Trilha do Cartão Postal, mas, como a tarde de sábado e todo o domingo foram muito chuvosos, achei melhor não caminhar com minha família por trilhas que estariam bem lamacentas.
Aí veio a opção de fazer uma caminhada no PARNASO sem colocar o pés lama: a Trilha Suspensa!
É isso que eu acho mais incrível neste parque. Há opções variadas de trilhas dentro de um mesmo parque, das mais pesadas às mais fáceis e seguras.
No caso da Trilha Suspensa - que é circular, com início no estacionamento da Barragem e fim na estrada de mesmo nome, um pouco antes deste estacionamento - percorre-se a quase totalidade de seus 1.300 metros de extensão através de passarelas de madeira e com corrimãos, em meio às copas das árvores.
A caminhada tem duração de aproximadamente 1 hora e, já próximo do seu final, tem-se acesso às piscinas naturais do Rio Paquequer e às Cachoeiras de Ceci e Peri (homenagem aos personagens do livro "O Guarani", de José de Alencar).
Cachoeira de Ceci e Peri, no Rio Paquequer.

Uma das piscinas naturais do Rio Paquequer.
Esta foi a segunda vez que fiz esta caminhada e desta vez fui surpreendido com a instalação de placas informativas ao longo de todo o trajeto, escritas em português e inglês, apresentando para os visitantes esclarecimetos relativos à fauna e flora nativas.
Mas, atenção: apesar de demandar pouco esforço e de ser uma caminhada fácil, há uma escada de descida próxima ao fim da caminhada, sendo seus últimos metros percorridos no solo (afinal, trilha que se prese tem que ter ao menos um pouco de terra e lama, senão, não é trilha!).
Vão aí algumas dicas para essa caminhada:
- Um pequeno cantil de água é suficiente para a caminhada;
- Vale ficar atento às copas das árvores, diante da possibilidade de avistar aminais variados. Apesar de eu nunca haver presenciado, alguns amigos relataram ter avistado quatis na trilha;
- Dentro da mochila, capa de chuva e casaco são sempre recomendados;
- Não tenho o hábito de utilizar repelente de insetos, mas isso é recomendável para pessoas alérgicas, principalmente no verão;
- As piscinas naturais do Rio Paquequer são convidativas para um banho, mas vale lembrar que a região da Serra dos Órgão é sujeita a chuvas fortes repentinas, então, deve-se ficar atento às condições climáticas, em especial na direção da nascente do rio, para que sejam evitados riscos com cabeças-d'água.
No mais, fica o desejo de uma boa caminhada para quem decidir percorrer a Trilha Suspensa e o pedido de que a natureza seja respeitada, não deixando lixo pelo caminho e não incomodando os animais encontrados ao longo do trajeto.
Abs para todos e até a próxima!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Notícias - Termo de Conhecimento de Risco - Parque Nacional da Tijuca - Rio de Janeiro/RJ - 04/01/2011

A partir de hoje, o Parque Nacional da Tijuca exige o preenchimento de formulário de Conhecimento de Risco por quem for realizar escaladas nos limites do Parque, o qual deverá ser entregue aos vigilantes no Bom Retiro, na Pedra da Gávea ou no Centro de Visitantes.
Apesar de o fomulário mencionar o uso de trilhas, ao menos por enquanto está sendo exigido apenas para o uso de vias de escalada.
O formulário pode ser obtido nos locais acima mencionados ou através do link www.megaupload.com/?d=0LWJTZ1C.
Maiores informação podem ser obtidas pelo site oficial do PARNATIJUCA (www.parnatijuca.blogspot.com) ou pelo telefone (+55-21) 2492-2252.
Abs para todos e até a próxima!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Notícias - Onça Parda flagrada no PARNASO - Teresópolis/RJ - 13/11/2010

A onça parda flagrada por armadilha fotográfica (Fonte: PARNASO)
Apesar de antiga, a notícia de 13 de novembro deste ano merece ser divulgada em razão da sua relevância.
Em razão do projeto de inventário de mamíferos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), pesquisadores, com o uso de armadilhas fotográficas, flagraram uma onça parda - também conhecida como suçuarana - nas proximidades da sede da unidade de conservação em Teresópolis/RJ.
Sem dúvida, uma boa notícia.
Apesar de eu não ser biólogo, parece que isto é um indicador de que o parque  deve estar em equilíbrio, pois está dando suporte à manutenção da vida de predadores de grande porte (uma onça parda macho pode chegar aos 100 kg).
Contudo, ainda não foi possível comprovar o que se tem como um dos principais objetivos do inventário de mamíferos do PARNASO: a confirmação da presença de onças pintadas nos limites do parque, já que há relatos nesse sentido e, em 2008, foram encontrados rastros  provavelmente deixados por essa espécie.
Agora, é torcer para que o trabalho prossiga com êxitos como o mencionado nesta postagem.
Reportagem completa no site oficial do PARNASO, através do linkwww4.icmbio.gov.br/parnaso/index.php?id_menu=3&id_arq=249.
Abs para todos e até a próxima!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Corrida de Rua - Meia-Maratona Faz um 21 - Niterói - 28/11/2010

Eu e meu irmão iniciando a descida do MAC, em direção à Praia das Flexas.
 No dia 28/11/2010, às 08:21Hs, na Praça da Concha Acústica de Niterói, conforme programado, teve início a "Meia-Maratona Faz um 21", corrida para duplas na qual cada um dos corredores, simultaneamente, percorreu 10,5 Km até a Estação dos Catamarãs de Charitas (ver postagem do dia 10/11/2010).
Como era de se esperar, o clima típico desta época do ano trouxe consigo uma grande vantagem e uma pequena desvantagem: o dia ensolarado de verão fez com que a corrida fosse um belo espetáculo ao longo da orla de Niterói, ocupando parcialmente as vias do Gragoatá, Boa Viagem e das Praias das Flexas, de Icaraí, de São Francisco e de Charitas; em contrapartida, este mesmo sol que abrilhantou o evento, também castigou os participantes com um calor intenso ao longo que quase todo o trajeto, que tem poucos trechos sobreados.
Em se tratando da beleza da paisagem, acredito que, para muitos, o ponto mais bonito  do trajeto foi também o mais pesado: a subida da Praia da Boa Viagem até o MAC - Museu de Arte Contemporânea. E aqui não apenas por questões de preparo físico, mas também psicológicas, afinal, do MAC, é possível avistar a Estação de Catamarãs de Charitas a 8 Km.
Não poderia, também, deixar de mencionar que a organização foi outro ponto alto do evento. Todos os kits e chips para a corrida foram entregues de forma organizada, e sem demora, os postos de hidração estavam bem distribuídos ao longo dos 10,5 Km do percurso e pouco tempo após a chegada recebi, via SMS, a informação dos meus tempos bruto e líquido.
Agora, sabe qual o principal resultado desta corrida em um trajeto tão diferente? Disposição para treino para outra corrida "um pouco" mais longa e igualmente diferenciada, e que tem data prevista para o dia 17/04/2011: A Meia Maratona Niterói - Rio de Janeiro, que terá 13 de seus 21 Km sobre a ponte Rio-Niterói!
Como a última prova desta ocorreu na década de 80, fica a dúvida quanto ao tempo que levará para se repetir após esta que está prevista para 2011.
Ou seja, é melhor apertar o ritmo de treinamento para não perder esta grande oportunidade!
Feito este relato e dada a notícia, espero que nos encontremos em abril, ao longo dos 21km que ligam a Av. Ernani do Amaral Peixoto, em Niterói, e o Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, Rio.
Abs para todos e até a próxima.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Notícias - Inauguração do Abrigo dos Castelos do Açu no PARNASO - 04/12/2010

Agora é oficial: Dia 04 de dezembro entra em operação o Abrigo dos Castelos do Açu, dentro do Parque Nacional da Serras dos Órgãos (PARNASO).
Com ele, são dois abrigos dando suporte aos montanhista que fazem a travessia Petrópolis-Teresópolis (o outro é o Abrigo 4, na Pedra do Sino), permitindo a realização de uma caminhada com bem menos peso, pois, da mesma forma que ocorre com o Abrigo 4, o novo abrigo dispõe de cozinha equipada, banheiro e beliches.
Maiores informações podem ser obtidas no site do PARNASO, através do link www4.icmbio.gov.br/parnaso/index.php?id_menu=3&id_arq=250.
Abs e até a próxima!

Voluntariado - Reflorestamento do Parque Estadual do Grajaú - Rio de Janeiro/RJ - 20/11/2010

A área do reflorestamento já preparada para receber as novas mudas. As pessoas de camisa branca com o emblema de reflorestamento foram as responsáveis pela preparação do terreno e fazem a manutenção regular da área.
 Acredito que todos que praticam alguma atividade em contato com a natureza têm sempre em mente o ditado que afirma que "não se mata nada, a não ser o tempo; não se leva nada, a não ser fotos; não se deixa nada, a não ser pegadas".
Porém, só isso não é suficiente para evitar danos ao meio ambiente.
O ditado acima prega o mínimo impacto, mas, por menor que seja, ele sempre está presente.
Afinal, em qualquer caminhada ou escalada, como afirma o próprio ditado, deixamos pegadas!
Essas pegadas são inevitáveis e, invariavelmente, geram erosão nas trilhas (quantas vezes não percorremos trilhas rebaixadas quase à altura dos joelhos em relação ao resto do terrenos ou com várias ramificações desnecessárias que se encontram poucos metros mais a frente?).
Foto área extraída do Google Earth demonstrando várias ramificações da trilha entre os campings da Tronqueira e do Terreirão, no Parque Nacional da Serra do Caparaó.
 Então, devemos buscar alternativas para compensar estes danos, e as atividades de reflorestamente ou de manutenção de trilhas são boas opções para isso.
Pensando nisso, no feriado do dia 20 de novembro deste ano, o Clube Excursionista Light (CEL) efetuou atividade de reflorestamento no Parque Estadual do Grajaú, com o replantio de 30 mudas de árvores nativas.
Uma das mudas que plantei (foto: Renato Moura).
 O parque, em razão de gestão compatilhada, está sendo paulatinamente reflorestado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em parceria com moradores de comunidades estabelecidas em seus arredores.
O trabalho tem apresentado bons resultados, principalmente, acredito eu, eu razão do envolvimento da população local.
Normalmente, este tipo de trabalho é pesado, mas, como nesta ocasião contamos com a ajuda dos moradores da comunidade Nova Divinéia, já envolvidos no reflorestamento do paque a um bom tempo como já mencionado, chegamos já com as covas das mudas prontas e adubadas, necessitando apenas do plantio e irrigação delas.
Como os dias seguintes foram chuvosos, acredito que tenha havido êxito em mais este trecho do reflorestamento, compensando a natureza por nossas "pegadas" deixadas durante as caminhadas.
Feito este breve relato, cumpre a mim fazer um pedido a todos: sempre que possível, participem de atividades semelhantes, entrando em contato com as administrações das unidades de conservação ambiental e oferencendo ajuda para  reflorestamento ou manutenção das trilhas, pois o número de funcionários disponíveis nunca é suficiente para cobrir áreas tão grandes.
A esse respeito, sempre que eu tiver notícias de outros mutirões de reflorestamento ou de manutenção de trilhas, farei a postagem no blog.
Uma outra opção para quem tiver interesse neste tipo de voluntariado pode ser encontrada no site do programa "Acesso às Montanhas" (www.acessoasmontanhas.org), pelo qual o interessado pode se cadastrar e receber avisos a respeito das atividades agendadas.
Outras fotos do reflorestamento mencionado nesta postagem podem ser encontradas no site do CEL, através do seguinte link: http://www.celight.org.br/ondeestivemosfotos.php?ID_Materia=57.
Abs para todos e até a próxima!

domingo, 14 de novembro de 2010

Caminhadas - Serra do Caparaó - Minas Gerais e Espírito Santo - 24/04/2010


O Pico da Bandeira visto a partir do Pico do Calçado.
No início de março deste ano, um amigo do Clube Excursionista Light divulgou em nossa lista um convite para uma caminhada a ser feita no Parque Nacional da Serra do Caparaó, situado na divisa entre os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.
A caminhada, classificada como pesada, foi denominada "Circuito dos Picos do Cristal, Calçado e Bandeira" e, em razão do feriado de São Jorge no Estado do Rio de Janeiro, agendou-se a partida do Rio para o município de Alto Caparaó/MG no dia 23 de abril (sexta-feira), onde faríamos um pernoite antes da caminhada.
Em razão da distância e por ser um feriado no Rio, acabou que apenas meu amigo que fez o convite e eu mantivemos interesse pela caminhada.
O mês de março foi gasto na preparação da caminhada, e os sites http://www.altocaparao.mg.gov.br/ (site oficial do município de Alto Caparaó) e www4.icmbio.gov.br/parna_caparao (site oficial do Parque Nacional da Serra do Caparáo) foram fundamentais para o êxito desta etapa.
Chegamos a pensar em fazer pernoite em um dos dois campings existentes dentro da parte mineira do Parque Nacional (Tronqueira ou Terreirão), mas a hipótese foi logo descartada em razão do horário previsto para a chegada em Alto Caparaó e também para evitar excesso de carga nas mochilas por conta da distância e do esforço da caminhada no dia seguinte, com previsão de 10 horas de duração. 
Como agendado, saímos do Rio de Janeiro por volta das 13:00Hs e chegamos a Alto Caparaó por volta das 21:00Hs.
Depois de oito horas na estrada, e como ainda era necessário ajustar o GPS e revisar o material a ser levado para a caminhada, decidimos não perder muito tempo pela cidade. Por isso, comemos uns salgadinhos em uma lanchonete e fomos logo para a Pousada do Rui (http://www.pousadadorui.com.br/), que foi por nós escolhida por dispor de boa estrutura, bom preço para o pernoite e flexibilidade no horário do início do café da manhã.
Acordamos cedo para um café reforçado.
Às 08:00Hs estacionamos o carro no nosso ponto de partida - o camping da Tronqueira, a 1.970 m de altitude - de onde se pode apreciar a vista da cidade de Alto Caparaó (foto abaixo).
Alto Caparaó visto a partir do camping da Tronqueira.
De lá, partimos em direção ao camping do Terreirão, a 2.370 metros de altitude. Até este ponto a caminhada de aproximadamente 3,3Km é bem fácil e a trilha bem demarcada. Para os que vão acampar no Terreirão e não desejam o desconforto de tranportar nas costas o peso de todo o equipamento necessário, pode-se optar pela contratação do serviço de mulas, que fazem a ligação entre este camping e o da Tronqueira.
A partir do Terreirão, iniciamos o circuito propriamente dito partindo em direção ao Pico do Cristal, em seguida para o Pico do Calçado e, por fim, para o Pico da Bandeira, para, de lá, retornar ao ponto de partida, ou seja, a Tronqueira (imagem do circuito abaixo).
O circuito foi realizado em sentido anti-horário, ao contrário do que habitualmente se faz, que é caminhar a partir do Pico da Bandeira até o Pico do Calçado, retornando pelo mesmo caminho.
Ou seja, seguimos um caminho diferente do tradicional, e por isso tomamos a liberdade de dar o nome de "circuito" para esta caminhada. Geralmente os caminhantes que fazem estes três picos no mesmo dia, ao partirem do Terreirão, seguem para o Pico da Bandeira, depois para o do Calçado e, por último, seguem para o do Cristal, retornando pelo mesmo trajeto que os levou a este último pico.
No nosso caso, passamos por cada um destes picos uma única vez.
Ao sairmos do Terreirão, seguimos uma trilha localizada em frente à Casa de Pedra, descendo pela encosta, quase em direção à nascente do Rio Caparaó, como forma de acessar a face noroeste do Pico do Cristal.
Neste trecho da caminhada, acreditávamos que a nossa maior dificuldade seria o desnível acumulado, pois tivemos que descer bastante até o vale do Rio Caparaó para retormar a subida até o cume do Pico do Cristal (foto abaixo).

O Pico do Cristal, ao fundo, com a face noroeste ao lado direito. Parece uma subida sem fim...
Porém, após apenas alguns minutos de caminhada a partir do Terreirão, percebemos que teríamos uma dificuldade não esperada: a vegetação! Ela simplesmente começou a tomar a trilha, já que é pouco usada. Por se tratar de vegetação arbustiva, que muitas vezes ultrapassa pouco mais de dois metros de altura, só nos restaram duas alternativas: ora rastejar nos trechos em que víamos que a trilha prosseguia por baixo da vegetação, ora voltar a abrir caminho com pernas e braços nos momentos em que a trilha simplesmente desaparecia.
Ambas as alternativas geraram dois resultados óbvios: o primeiro, uma série da arranhões nos braços e no pescoço, e o segundo, um grande atraso na caminhada.
O obstáculo da vegetação apenas deixou de existir após já termos avançado bem na subida do Pico do Cristal, quando a vegetação passa de arbustiva para uma vegetação já bem mais rareifeita, com especial destaque para as Açucenas que brotam aos montes na parte alta deste pico (foto abaixo).
Açucena na subida do Pico do Cristal.
Com tudo isso, chegamos ao cume do Pico do Cristal, a 2.798 metros de altitude, por volta das 14:00Hs.
Ouso afirmar que, apesar do Pico da Bandeira ser o mais conhecido dos três picos visitados, o Pico do Cristal é de longe o mais bonito.
Após uma breve parada para as fotos e para um lanche um pouco mais reforçado, iniciamos a descida do Pico do Cristal pela sua face leste, iniciando assim a caminhada pela trilha habitualmente utilizada pela grande maioria dos excursionistas.
Confesso que esta descida é consideravemente arriscada em razão do seu acentuado grau de inclinação, o que a torna bem exposta (foto abaixo), exigindo bastante cuidado por parte do excursionista.
Vista da descida do Pico do Cristal. Após descer, contorna-se o morro da frente pela face direita, para se ter acesso ao Pico do Calçado.
Ultrapassada esta etapa, a caminhada até o Pico do Calçado é bem tranquila e rápida, e com uma bela vista da parte capixaba do Parque e do Pico da Bandeira.
A etapa seguinte, do Pico do Calçado até o Pico da Bandeira, estava bem sinalizada e rápida, mesmo na parte final, que é relativamente íngrime (foto abaixo).
Últimos metros de subida para o Pico da Bandeira.
Com o objetivo atingido, que era de fazer os cumes dos três picos no mesmo dia, pudemos descansar um pouco mais para apreciar a paisagem e repor a energia, pois, neste momento, já havíamos completado aproximadamente 8 horas de caminhada.
Quanto à vista, acredito que o mais bonito seja o visual que se tem do Pico do Crital (foto abaixo). Deste ponto foi possível ver o porquê de a subida do Cristal exigiu tanto esforço físico.

Pico do Crital (ao fundo) visto a partir do Pico da Bandeira.
Nesse momento, veio à mente o motivo pelo qual todo o esforço de caminhadas como essas valem a pena: o silêncio lá em cima, a 2.892 metros de altitude é incrível! Não se ouve nada que lembre a paranóia civilização!
Mas, como todo montanhista vive em função do tempo e do sol, e já era fim de tarde, resolvemos iniciar nossa caminhada de retorno para chegar ao Terreirão ainda com luz do dia e apenas usar lanternas no último trecho, ou seja, Terreirão - Tronqueira.
O trecho de descida do Pico da Bandeira até o Terreirão, para quem já caminhou tanto, é bem desgastante por ser pecorrido quase todo em leito de pedra, com um grau acentuado de erosão (foto abaixo).
Trecho da trilha entre o Pico da Bandeira e o camping do Terreirão. Na pedra pode ser vista uma das sinalizações indicativas do caminho, em amarelo.
Como previsto, chegamos ao Terreirão com os últimos raios de sol e fizemos uma parada para arrumar as lanternas e eu, em razão do frio que já começava a incomodar, resolvi seguir o último trecho vestindo o meu anorak, não só para evitar perda de calor, como também para se proteger do que parecia ser uma fina garoa.
A nossa única falha neste trecho foi o fato de termos levado apenas headlamps, que, apesar de muito práticas, iluminam menos do que as tradicionais lanternas de mão. Mesmo assim, foi uma caminhada bem tranquila e rápida.
Chegamos à Tronqueira por volta das 19:30Hs e trocamos algumas informações com um grupo de excursionista que aguardava o avançar das horas para iniciar a caminhada de súbida para ver o raiar do sol no Pico da Bandeira.
Ao descermos de carro a partir da Tronqueira, fomos parados na saída do Parque e o guarda florestal responsável pela vigilância do Parque que, de forma educada, pediu para revistar o carro antes de saírmos, explicando ser necessário para evitar tráfico de exemplares de flora e de fauna. Fiquei positivamente surpreso, pois a Administração Pública deve efetivamente zelar pela integridade um local de natureza tão rica, para que as futuras gerações possam ter o mesmo privilégio que tive de caminhar na Serra do Caparaó.
Depois de aproximadamente onze horas caminhando, apesar do excelente estado de espírito, estávamos fisicamente esgotados, mas, mesmo assim, decidimos iniciar o nosso retorno para o Rio na mesma noite, parando para pernoite o mais próximo possível do Rio de Janeiro, para ainda aproveitarmos o domingo com as respectivas famílias.
Porém, antes de pegarmos a estrada de volta, tínhamos que parar para nos alimentar com algo que não fosse embalado em "saquinhos", como castanhas, barras de cereais etc. Nada melhor do uma pizza gigante e dois litros de coca-cola.
Ainda no restaurante trocamos algumas informações sobre a caminhada com o dono do estabalecimento, que nos relatou que havia tentado percorrer a mesma trilha que nós, mas que desistiu no meio do caminho em razão da dificuldade para transpor a vegetação.
Tomamos a estrada de volta ao Rio por volta das 21:30hs e, por razões de segurança, paramos para pernoite em Além Paraíba/MG, retomando a viagem no dia seguinte logo cedo, o que possibilitou a nossa chegada no meio da manhã de domingo, dia 25/04/2010.
Caso você tenha interesse de fazer esta caminhada, vão algumas dicas:
(1) Há necessidade de fazer reserva de entrada junto à administração do Parque Nacional. Maiores informações podem ser obtidas no site oficial do parque, já relacionado nesta matéria;
(2) A caminhada é realmente muito pesada, não só pela distância a ser percorrida, mas também pela altitude média acima dos 2.600 metros, ponto a partir do qual há risco de sintomas moderados de "Mal da Montanha", conforme relatos de alguns sites especializados em montanhismo. A respeito da altitude, um fenômeno interessante que ocorre nos pacotes de biscoitos fechados, por causa da expasão dos gases dentro das embalagens pela diminuição da pressão externa, é o fato de chegarem ao cume do Pico do Cristal parecendo balões a ponto de explodir;
(3) É aconselhável levar pelo menos 6 litro de líquido. Utilizei 4,5 litros de água mineral e 1,5 litro de repositor isotônico ao longo das onze horas de caminhada;
(4) Como o gasto energético é muito grande, é aconselhável levar alimentos ricos em carboitrados;
(5) Não deixe de levar boné, protetor solar, agasalho e anorak. Durante o dia, mesmo nos dias menos quentes, o sol é inclemente por causa da altitude. As noites costumam ser frias, mesmo nas partes mais baixas do Parque, como o camping da Tronqueira, por exemplo;
(6) Se for caminhar do Terreirão direto para o Pico do Cristal, aconselho que antes consulte a direção do Parque para se informar sobre as condições da trilha, que pode estar com a vegetação ainda mais fechada, impedindo o prosseguimento pela mesma. Nesse trecho da caminhada um GPS ajuda bastante, principamente para localizar o ponto da acesso da trilha de subida do Pico do Cristal em sua face noroeste, após cruzar o Rio Caparaó; e
(7) Por fim, o período de inverno é o melhor para caminhar, pois o clima é bem menos chuvoso neste período do ano.
No mais, caso você deseje conhecer a Serra do Caparaó, tenha certeza de que o esforço da caminhada realmente compensa. Afinal, são poucos os lugares nos quais podem acessados três dos sete maiores picos do Brasil em apenas um dia e com relativa facilidade.
Outras fotos foram postadas no Picasa: http://picasaweb.google.com/108300806397402382091/CircuitoDosPicosDoCristalDoCalcadoEDaBandeira#
Abs para todos e até a próxima!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Notícias - Meia Maratona Faz um 21 - Niterói/RJ - 28/11/2010


Essa é uma notícia para quem gosta corrida de rua e tem vontade correr algum circuito diferente dos que tradicionalmente são feitos no Aterro do Flamengo, no Rio.
No dia 28/11/2010, em Niterói/RJ, ocorrerá a "Meia Maratona Faz um 21", patrocinada pela Embratel e com apoio da Prefeitura Municipal da citada cidade.
Será uma corrida de duplas, em que os participantes de cada equipe largarão juntos da Concha Acústica de Niterói com destino à Estação de Catamarãs de Charitas, totalizando um percurso de 10,5 Km para cada corredor. O tempo da dupla será a soma do tempo indivual de cada um de seus participantes.
Além do belo visual, já que a corrida será ao longo da Orla de Niterói, passando pelo Gragoatá, MAC, Praias das Flexas, de Icaraí, de São Francisco e de Charitas, haverá premiação em dinheiro para as três primeiras duplas nas caterorias masculino e femino, além da entrega das tradicionais medalhas de finisher para os participantes que concluírem o trajeto.
Porém, se você tem interesse em participar desta corrida, é bom "correr" para se inscrever, pois as incrições encerram-se no dia 24/11/2010, estando limitadas ao máximo de 1.000 (um mil) participantes.
O valor da inscrição é bem atraente: apenas R$ 21,00 para cada participante, ou seja, R$ 42,00 para a dupla, que está bem abaixo do que habitualmente se paga para participar de outros circuitos de corrida.
Maiores informações sobre a corrida e sobre as inscrições podem ser obtidas no site oficial do evento: http://www.meiamaratonafazum21.com.br/.
Então, nos vemos ao longo da orla de Niterói no dia 28 de novembro.
Abs para todos e até a próxima.